quinta-feira, 15 de outubro de 2009

OS ÁTOMOS DE DEMÓCRITO

Demócrito de Abdera é o último dos grandes filósofos pré-socráticos. O seu sistema mereceu a admiração dos materialistas dos séculos XIX e XX.

Demócrito defende o logos. Segundo a razão, o real é formado por átomos (elementos simples) e vácuo. Segundo a opinião, o real é formado pela cor, o doce e o amargo.

Desta oposição entre razão e opinião, resulta uma máxima que importa destacar: os sentidos ameaçam a razão.

Numa época em que somos invadidos por mensagens que apelam aos sentidos e em que todos manifestam opinião acerca de tudo, torna-se importante reflectir essa máxima.

O atomismo de Demócrito, na sua necessidade de aperfeiçoamento como no seu princípio, leva-nos a questionar o visível, o óbvio e a opinião baseada nos sentidos.

Se os sentidos ameaçam a razão, e a opinião nos conduz a uma evidência questionável, torna-se importante pensar mais e opinar menos.

Como refere Gaston Bachelard: “A opinião, legitimamente, nunca tem razão. A opinião pensa mal; ela não pensa: traduz necessidades em conhecimentos”.

Portanto, é preferível o erro racional de Demócrito, que admite átomos como elementos simples, à certeza empirista da opinião baseada nos sentidos.

Antes errar pensado, do que acertar opinando.

2 comentários:

Anónimo disse...

Buenísimos tus textos. Un saludo.

José Moreira Tavares disse...

Angus

Muchas gracias.