quinta-feira, 7 de agosto de 2008

ÉDIPO COMPLEXO

Édipo significa, em sentido figurado, aquele que explica um enigma, que esclarece uma questão obscura, como por exemplo o paradigmático enigma da Esfinge. Quando substantivado, dá origem ao edipismo, significando o arrancamento voluntário de um ou dos dois olhos por alguém alienado de si próprio. Está ainda na origem de várias obras, entre as quais, uma das mais importantes, realizada por Sófocles, célebre poeta grego que, em 415 a. C., escreveu a tragédia Édipo Rei.

Quando Édipo nasceu, o seu pai Laio, rei de Tebas, mandou expô-lo no monte Citíron por que um oráculo tinha-o prevenido de que, se tivesse um filho, este o mataria. Encontrado por uns pastores, Édipo foi levado ao rei de Corinto, Políbio, que lhe deu a educação de um príncipe. Chegado à idade adulta, Édipo consultou um oráculo que lhe deu o conselho de nunca mais voltar à sua pátria, pois estava destinado a matar o seu pai e desposar a sua mãe se tal fizesse. Persuadido que a sua pátria era Corinto, Édipo exilou-se, mas quis o destino que encontrasse Laio no seu caminho; da briga entre os dois, Édipo matou Laio.

Por esse Tempo, um monstro de nome Esfinge, devastava os arredores de Tebas, devorando os viajantes que não adivinhassem os seus enigmas. Creonte, sucessor de Laio, prometera a mão de Jocasta, mãe de Édipo, bem como o trono a quem livrasse a polis do horrível monstro. Édipo decifrou o enigma da Esfinge que, furiosa, se atirou ao mar. Por esse motivo, Édipo foi aclamado rei de Tebas e desposou a sua mãe. Quando estes factos foram revelados por um oráculo, Jocasta suicidou-se por enforcamento, e Édipo, depois de ter arrancado os próprios olhos, deixou Tebas guiado pela sua filha Antígona. Chegou a Colona, na Ática, entrou no bosque das Euménides, onde desapareceu.

Como sabemos, a cultura grega é uma das principais matrizes da cultura Ocidental e da europeia em particular. O próprio nome Europa é disso testemunho. Não admira, pois, que personagens da cultura grega como Édipo tenham chegado até nós e continuem a alimentar a criatividade cultural actual. O Complexo de Édipo é um bom exemplo do que foi dito. Trata-se de uma inclinação sexual que liga qualquer criança ao seu progenitor do sexo oposto. O Complexo de Édipo foi revelado pela psicanálise freudiana, sendo fundamental para o diagnóstico e descoberta das neuroses e dos recalcamentos.

O interessante neste Complexo de Édipo proposto por Freud, para além dos aspectos psicanalíticos que envolve, é que, tal como na história que lhe dá origem, existe uma triangulação relacional idêntica. Édipo, na mitologia grega, sem ter consciência, mata o pai, Laio, e casa com a mãe, Jocasta. Na psicanálise, o período edipiano também é uma triangulação inconsciente. Contudo, quando Sófocles escreveu o Rei Édipo ou a Antígona, ele procurou o princípio da acção na vontade humana. Neste sentido, e parafraseando Albert Camus a propósito de outro grande mito grego, Sísifo, é preciso entender Édipo numa perspectiva livre, entendendo a triangulação não como um religare ao transcendente ou mesmo alienação, mas sim como uma dialéctica ternária em que a síntese será sempre o homem livre.

Sem comentários: